O Polícia na Medida foi lançado em novembro de 2008, por meio de uma parceria entre a Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) e a Polícia Militar de Minas Gerais, e está presente em quatro centros socioeducativos. Além da percussão, os militares levam às unidades oficinas de grafite, dança, teatro e basquete.
O resultado, de acordo com o subsecretário de Atendimento às Medidas Socioeducativas, Ronaldo Pedron, é extremamente positivo, não só junto aos jovens, mas em todo o ambiente dos centros. “A gente tem esses lugares sedimentados, acha que só pode ser uma coisa. O policial só pode ser policial, o psicólogo só pode ser psicólogo e o infrator só pode ser infrator. É importante mostrar para esses adolescentes, a partir do exemplo do policial, que ele também pode ser outra coisa”, explica.
Aproximação
A superintendente de Gestão das Medidas de Privação da Liberdade, Elaine Rocha Maciel, ressalta que o projeto possibilita que os adolescentes vejam os policiais por um viés preventivo. “Os jovens conheceram a polícia no papel repressor e o que o projeto tem de mais valoroso é possibilitar esse outro encontro”, afirma.
Para a aproximação, a polícia usa aquilo que interessa aos adolescentes, como o grafite e a percussão. “Quando a polícia chega os meninos ficam acuados. Ao convidá-los a participar de outro lugar, inclusive com a troca de papeis, eles se desarmam e participam”, diz Elaine Maciel.
O coordenador operacional do Polícia na Medida, sargento Cássio Johnny Tenório, conta que na maioria das vezes os jovens chegam traumatizados pela ação do policial. Alega que em outra situação, sem a mediação das atividades culturais, seria impossível estabelecer o diálogo. O Polícia na Medida é uma extensão do projeto Juventude e Polícia, que busca construir uma nova imagem da polícia e dos jovens moradores de aglomerados e favelas, dissociada dos estereótipos de violência, discriminação e criminalidade.
O diretor de Apoio Operacional da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Eduardo de Oliveira Chiari Campolina, explica que o Polícia na Medida atua na prevenção terciária, voltada a jovens que já se envolveram com a criminalidade. “Precisamos deixar claro qual é a nossa participação e dar uma nova perspectiva de visibilidade social a esses jovens, que não seja pelo tráfico de drogas ou violência extrema. Se somos o braço do Estado responsável pelos limites, também queremos ser o braço que vai protagonizar a cidadania para essas pessoas”, conclui.