Realizado desde 2008, o evento consiste em três encontros regionalizados e um seminário para 250 servidores de todo o Estado. Este ano o tema escolhido foi “O que fazer com os que estão sob o nosso olhar?”. Nas reuniões os participantes adotam uma dinâmica participativa, usando textos elaborados previamente pelos próprios funcionários das unidades socioeducativas. Os documentos são lidos para todos, antes da abertura do debate.
Ideias
A diretora de orientação socioeducativa, Mariana Furtado Vidigal, explica que o evento é um espaço de formação contínua e que dele já saíram boas ideias para serem colocadas em prática no cotidiano. “Em um dos encontros realizados no ano passado, houve o aumento das atividades externas, exatamente a partir das discussões e reflexões no Espaço sob Medida”, relata.
Para a abertura deste ano, o convidado foi o professor e psicólogo Jacques Akerman, que falou sobre a obra “Vigiar e Punir”, do filósofo francês Michel Foucault. Os servidores da Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase), produziram dois textos, sendo um do Centro Socioeducativo Santa Helena, feito em parceria com o Santa Terezinha, e outro do Centro de Internação Provisória Dom Bosco.
O primeiro, com o título “Vigiar e Intervir”, foi escrito pelo diretor de segurança do Centro Socioeducativo Santa Terezinha, Frederico de Castro Simões, em parceria com o agente socioeducativo, Gerson Raimundo da Silva, do Centro Santa Helena. O outro, denominado como “Na real da medida: escutar, olhar, desembolar”, teve como autores integrantes de uma equipe multidisciplinar.
Vidas de punições
Seguir o caminho contrário da punição é a proposta do texto “Vigiar e Intervir”, segundo o agente Gerson Raimundo da Silva. “Os adolescentes já têm um histórico de punições e exclusões. Por isso, precisamos trabalhar no sentido de intervir, que é bem diferente de punir”, explica.
Ele destaca que a intervenção ocorre pelo diálogo, que não significa tirar a responsabilidade dos adolescentes, mas sim mostrar outros caminhos, evitando possíveis conflitos, segundo uma linha proposta por diversos profissionais dos centros socioeducativos. “Os debates motivados pelos textos dos encontros sempre são ricos e cheios de entusiasmo”, concluiu a diretora Mariana Vidigal.