O Rua Livre é uma das ações do programa e tem como objetivo acolher usuários que aceitam o encaminhamento para centros de tratamento e comunidades terapêuticas.  

As primeiras abordagens aconteceram na Pedreira Prado Lopes, durante a manhã e a tarde da quarta-feira. Nesta primeira abordagem foram acolhidos 36 usuários de drogas. Quatorze destes já aceitaram o tratamento e a internação. Servidores das secretarias estaduais de Defesa Social (Seds) e de Desenvolvimento Social (Sedese) participaram da ação, em parceria com policiais militares, policiais civis e do Corpo de Bombeiros. 

O salão de uma igreja na comunidade da Pedreira serviu de base para o primeiro atendimento. Quem aceitava ajuda era levado a uma unidade móvel para identificação pela Polícia Civil e encaminhado para o Hospital Galba Veloso. No local, os usuários receberam atendimento de psicólogos e assistentes sociais. Todos ganharam novas roupas, cortaram o cabelo e tomaram banho.

O superintendente do Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas (Cread), Amaury Costa Inácio da Silva, ressalta a dificuldade de convencer estas pessoas a aceitarem tratamento. “É preciso falar a mesma linguagem delas e mostrar as possibilidades e necessidade de recuperação”.

 

Acolhimento

“A sociedade clama por intervenções e o Rua Livre vai agir nos territórios para acolher e tratar. Serão ações constantes em Belo Horizonte e na Região Metropolitana que, posteriormente, estarão em todo o  estado”, explicou o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides.

A professora Valéria Borges Ferreira presenciou o Rua Livre e disse que ações deste tipo precisam ser realizadas com frequência. Ela tem 45 anos, sempre morou na Pedreira e é voluntária em projetos sociais. “Já vi três gerações utilizando o crack ao mesmo tempo, uma criança, um jovem e um idoso. As crianças aprendem desde cedo a gritar ‘tá normal, tá normal’, isto serve para avisar quando não há problemas por perto que impeçam o uso de drogas”, relata a professora.  A quebra do “normal” é um apelo de mães que procuraram a equipe para seduzirem seus filhos no caminho do tratamento. Uma senhora de 69 anos agradeceu ao ver seu filho André, 32 anos, entrar em um carro do Governo de Minas rumo a uma esperança de recuperação. Ele é usuário de crack há três anos e disse também fazer uso de álcool “para segurar a abstinência da pedra”.

 

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