Os acolhimentos são programados a partir da solicitação de parentes dos dependentes no Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas (Cread). Então uma equipe de psicólogos e assistentes sociais vai à casa do dependente, para ouvir a todos e encaminhá-los, caso aceitem ajuda, para centros de saúde e unidades terapêuticas. São feitas em torno de cinco visitas.
“A família também adoece junto com o usuário e nossa missão é ajudá-la e capacitá-la, pois assim ela se torna a principal aliada na recuperação”, explica um dos psicólogos do Instituo Ajudar, Eduardo Abjaud, que esteve no primeiro núcleo familiar atendido.
O superintendente do Cread, Amaury Costa Inácio da Silva, acredita que o acolhimento familiar é “uma nova forma de intervenção social, no sentido de mostrar as possibilidades de tratamento, tornar os membros das famílias multiplicadores de conhecimentos e habilitá-los para lidar com a dependência”.
Carinho
A equipe de atendimento relatou o encontro com a família de uma jovem de 25 anos, do bairro João Pinheiro. A mãe dela esteve no Cread à procura de ajuda, pois a filha usa crack há três anos e recentemente passou a utilizar oxy. A equipe ficou surpresa com a disposição e mobilização da família em ajudar a moça, que também é mãe de duas crianças.
A família mostrou duas fotos aos profissionais, uma antes de a jovem começar a usar crack e outra atual. Segundo a equipe, as mudanças saltavam aos olhos - emagrecimento e descuido com a aparência - entretanto, a esperança na recuperação da jovem foi algo marcante, por isso, na próxima semana, uma nova visita já está agendada.