“A sociedade começa a aceitar a presença de detentos no mundo do trabalho e isto é muito positivo para a reinserção, em todos os âmbitos da vida dos que cumpriram penas”, conta a diretora geral do Presídio de Lavras, Flávia Kátia Silva. A diretora enumera as várias frentes de trabalho na cidade, nas quais estão inseridos presos de sua unidade: na construção de um centro de eventos trabalham nove presos e a empresa solicitou mais 20, no quartel do Corpo de Bombeiros Militar dois presos cuidam da manutenção, e o próprio presídio também passa por obras em que estão sendo empregados quatro detentos para revitalizar 16 celas e duas salas de aula. “Os bons resultados das parcerias e convênios vão sendo disseminados e a tendência é ampliar o número de presos inseridos nos variados tipos de atividades”, conclui a diretora.
    

Bons frutos

O pedido de convênio partiu da Pastoral Carcerária e foi aprovado na Assembleia Paroquial, após uma experiência bem sucedida com um ex-detento, que hoje trabalha em uma construtora da região.

“As expectativas com a participação dos detentos na reforma são ótimas, pois tivemos uma pessoa que trabalhou conosco como eletricista durante e após o cumprimento da pena. Chegamos a indicá-lo para uma construtora e hoje ele tem carteira assinada”, relata a coordenadora da Pastoral Carcerária, Talestre Maria do Carmo Mário.

Na Matriz de Santana, localizada no centro de Lavras, os detentos fazem o reboco e a pintura externa. No Recanto Sagrado Coração de Jesus, local onde são realizados retiros espirituais e encontros, não falta trabalho, pois são 45 suítes, refeitório, capela, auditório e jardins. Os trabalhos são de pedreiro, serralheiro, marceneiro, pintor, jardineiro e bombeiro, para executar entre outros serviços a troca de revestimento, piso e reboco, além de reformas no jardim e parte hidráulica.
    

Trabalho e parcerias


Atualmente, mais de onze mil presos em Minas Gerais exercem atividades profissionais enquanto cumprem penas por meio de parceria com cerca de 250 instituições públicas e privadas. Desses, cerca de 4.500 recebem remuneração, de acordo com a Lei de Execuções Penais (LEP), ¾ do salário mínimo, além da remição de pena, para cada três dias de trabalho um dia de redução. De janeiro a setembro deste ano, 855 presos fizeram cursos profissionalizantes.
Há, ainda, cerca de 5.500 presos estudando. Desse total, 676 estão cursando o nível Alfabetização; 1436 os anos iniciais do Ensino Fundamental; 2814 os anos finais do Ensino Fundamental; 565 o Ensino Médio e 15  o Ensino Superior. No total, a Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) conta com 51 escolas em funcionamento dentro de unidades prisionais.
 




 

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