Esta é a 5ª edição da despesca, fruto de um projeto pioneiro em Minas Gerais, iniciado há dois anos a partir de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o Ministério da Pesca e Aquicultura e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A distribuição dos peixes para as instituições do município é feita pela Secretaria Municipal de Assistência Social, por meio da gerência do Banco de Alimentos. As tilápias são congeladas para evitar perdas, pois o alimento não é consumido de imediato.
A gerente do órgão, Maria Senhora França da Rocha, explica que peixe não faz parte dos hábitos alimentares da população do município, e portanto, foi necessário realizar um trabalho para introduzi-lo nas cozinhas das instituições beneficiadas. “Houve inicialmente certa resistência, pois as pessoas não sabiam como manipular e preparar as tilápias. Fizemos então uma espécie de cartilha e demos pequenas aulas. Hoje elas agradecem e percebemos que introduzimos um novo sabor em suas vidas”, relata a gerente. Para o nutricionista da Prefeitura de Ribeirão das Neves, André Luiz Villamarim, a adoção do peixe na dieta representa um ganho de alimento rico em proteína, ômega 3 e cálcio.
Ao contrário do Banco de Alimentos de Ribeirão das Neves, os peixes entregues na Vila Hortinha, comunidade de 800 moradores e 150 famílias, chegaram vivos dentro de duas caixas d’água, levadas em uma caminhonete. “Os moradores daqui esperavam ansiosos por este dia. Na última doação vários me disseram que as tilápias foram a salvação do almoço, pois não havia nada em casa”, revela o presidente da Associação dos Moradores da Vila Hortinha, Carlos Lúcio de Souza. A comunidade recebeu cerca de 800 quilos de peixe, entregues mediante uma senha distribuída previamente.
Projeto. A capacitação dos detentos para cuidar dos peixes é realizada por professores do curso de veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na qual eles aprendem sobre a alimentação, doenças e as fases da vida dos animais e ainda os cuidados com a água. As verbas para a execução são da Secretaria de Estado de Defesa Social e do Ministério da Pesca e Aquicultura. Este projeto tem o objetivo de promover a ressocialização dos presos e o incentivo da piscicultura sustentável, em modelo familiar e cooperativada. Os peixes são colocados no lago no tamanho de alevinos, filhotes algum tempo após o nascimento, e alimentados até o peso e tamanho indicados para o abate.
O gerente de produção do Presídio Antônio Dutra Ladeira, José da Silva Resende, revela que desde o início do projeto já foram doados 5.700 quilos de tilápias, 16 presos passaram pelo projeto e nove receberam diploma do curso oferecido pela UFMG. “Minhas maiores alegrias neste projeto são as doações e saber que um dos ex-detentos trabalha com a criação comercial de peixes.”
Inspiração mineira
O projeto das tilápias em Minas Gerias inspirou os cariocas a criarem um projeto de criação de peixes ornamentais no sistema prisional do Rio de Janeiro. O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) firmou esta semana uma parceria com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio do Janeiro (Seap-RJ) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) para treinar e capacitar detentos. Eles trabalharão com o cultivo de peixes e o objetivo, segundo o ministro Marcelo Crivella, é criar uma alternativa de emprego, renda e reinclusão social dos presidiários.