Assim que obteve o livramento condicional, Aguinaldo foi contratado como servente pelo consórcio Minas Arena, que mantém convênio com a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) para destinação de vagas de trabalho a detentos do sistema prisional mineiro. Ele, que ficou preso por três anos e sete meses, revela que a contratação chegou a surpreendê-lo. “Quando a gente se encontra nessa situação de recém-saído da prisão, as portas ficam difíceis de serem abertas. As pessoas ficam receosas de nos darem oportunidade. Fiquei surpreso pela rapidez com que aconteceu”, conta.
Profissionalização
A superintendente de Atendimento ao Preso da Seds, Camila Pereira de Oliveira, ressalta que o principal objetivo das ações desenvolvidas é no sentido de que o preso seja plenamente reinserido na sociedade ao retomar a liberdade, o que, nesse caso, aconteceu de forma imediata. “Não se trata do primeiro preso a ser empregado pelo parceiro imediatamente após sair do sistema prisional. Isso mostra que a parceria deu certo para ambas as partes. Para o empregador, que contou com uma mão-de-obra que rendeu tantos bons frutos, para o Estado, que cumpriu o seu papel social de ressocialização e para o preso, que se profissionalizou e teve oportunidade de inserção no mercado de trabalho quando foi solto”, enumera.
Em Minas Gerais mais de 9 mil presos exercem atividades profissionais enquanto cumprem penas por meio de parceria com cerca de 250 instituições públicas e privadas. Essa inserção profissional tem representado uma oportunidade real mudança de vida não só para o egresso do sistema, mas para toda sua família. “Aqui estou tendo a chance de ter uma profissão, um salário digno, que eu sei que é tirado do meu suor. Agora terei condições de ajudar no crescimento e no estudo das minhas filhas”, completa Aguinaldo.