O
Rua Livre é um trabalho que integra o Programa Aliança pela Vida,
lançado em agosto pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), por
meio da Subsecretaria de Políticas sobre Drogas (Supod), para combater e
prevenir o uso de drogas no estado.
Na primeira parte da ação, psicólogos e assistentes sociais, com apoio de policiais militares e guardas municipais, fizeram o acolhimento dos usuários de drogas que se dispuseram a receber a ajuda. O primeiro atendimento foi feito na carreta da Rua Livre, mobiliada com mesas, cadeiras, sofá e armários.
Em seguida, os usuários foram encaminhados para um ponto de apoio, que desta vez funcionou em uma unidade do Sesi/Fiemg, onde puderam tomar banho, trocar de roupas, receber uma avaliação do quadro de saúde, se alimentar e descansar. Os cinco usuários que tiveram a necessidade de internação identificada pela equipe foram levados para centros de tratamento, onde passaram por avaliação médica. Os demais foram encaminhados para grupos de

ajuda, postos de saúde ou centro terapêuticos.
Em reunião preparatória para o Rua Livre, em que participaram funcionários da Prefeitura de Contagem, voluntários, policiais militares, guardas municipais e bombeiros, o subsecretário de Políticas sobre Drogas, Cloves Benevides, relembrou que a ação tem sido altamente positiva. “Mesmo que a pessoa recuse o atendimento, os gestos e iniciativas de acolhimento ficam marcados”, destacou.
Gestante usuária
Uma mulher grávida de cinco meses procurou ajuda no Rua Livre tanto para ela quanto para seu companheiro. Ela é dependente de crack, álcool e thiner, e já chegou a tomar etanol, mas afirma estar sem usar qualquer droga há três meses. A dependência química fez com que a gestante perdesse a guarda de quatro filhos, mas desta vez ela está disposta a largar totalmente o vício.
A psicóloga voluntária, Érica Machado, explicou que em quase todos os casos atendidos há um pano de fundo de desagregação familiar e abandono. “Quando se trata de moradores de rua, a vergonha da situação é unanimidade e todos se consideram no fundo do poço”, ressalta. A psicóloga comentou que os moradores de rua costumam descrever como são percebidos pelos outros e como têm grande vontade de saírem das ruas, mas que não conseguem acreditar nesta possibilidade.
Próximas ações
O programa Rua Livre tem ações previstas para as próximas semanas, sempre com o cuidado de levantar e avaliar as características de cada local com os gestores municipais das áreas de saúde, desenvolvimento social e segurança pública. A carreta estará sempre presente e os pontos de apoio serão determinados a partir de parcerias e também pela proximidade com o local da ação.