O projeto, que acontece no presídio desde julho do ano passado, é resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que capacitou os detentos em piscicultura. Além da retirada dos peixes eles aprenderam como tratar os animais, qual ração utilizar em cada fase da vida deles e como fazer a higienização do local.

O governador do Estado de Minas Gerais, Antonio Anastasia, ressaltou que, se anteriormente as prisões eram locais que não ofereciam uma perspectiva de recuperação, hoje o sistema prisional mudou. “O essencial é dar alternativas, para que as pessoas tenham boas opções de vida quando terminarem de cumprir as penas”, disse durante a solenidade. O governador lembrou que, além de servir para a reinserção dos detentos, os peixes terão como destino entidades sociais de Ribeirão das Neves, que receberão alimento de valor nutricional de alta qualidade. “É um projeto simples, barato, mas cujo efeito é extremamente positivo”, afirmou.
 
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De acordo com o secretário de Estado de Defesa Social, Lafayette Andrada, a escolha do Banco de Alimentos para receber a doação foi feita pela Seds, a partir da indicação do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Minas Gerais (Consea). O secretário lembrou que a piscicultura é apenas uma das atividades de trabalho e capacitação desenvolvidas nos presídios e penitenciárias de Minas Gerais, que é o Estado da federação que já tem, proporcionalmente, o maior número de presos trabalhando.
 
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Desde julho do ano passado, 4500 alevinos - filhotes de peixes logo após o nascimento – já foram colocados no presídio Antônio Dutra Ladeira e está previsto o depósito de outros 1500 para março deste ano. Para o ministro da Pesca e Aquicultura, Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira, a iniciativa deve ser levada a outras unidades prisionais do Estado e do país. “É uma experiência pioneira e tenho muita expectativa que possa ser copiada”, disse.

Profissionalização

piscicultura_dutra_1.jpgJúnior Roberto da Silva, de 31 anos, é um dos oito detentos que estão trabalhando, atualmente, com piscicultura no Presídio Antônio Dutra Ladeira. Ele conta que não tinha nenhuma experiência com criação de peixes e vê a atividade como “uma grande oportunidade, o começo de uma nova história”. Além da profissionalização, para cada três dias trabalhados ele recebe redução de um dia na sentença. “É importante fazer parte dessa atividade e gostei de saber que os peixes serão doados para instituições. Saber que a gente está contribuindo é muito interessante”, disse.

Hoje, cerca de 11500 presos trabalham enquanto cumprem pena em Minas Gerais, o que representa um aumento de mais de 20% em relação a 2010. Os detentos trabalham nas mais diversas atividades, como produção de bolas, sacolas ecológicas, equipamentos eletrônicos, cortinas, uniformes, roupas e, até mesmo, na reforma do Mineirão para a Copa do Mundo de 2014.
 
 
Crédito fotos: Wellington Pedro/ Imprensa MG