A proposta da atividade é promover uma interação dos adolescentes com a comunidade do bairro onde a unidade está inserida. A casa de semiliberdade é administrada pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), por meio da Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase) e funciona há dois anos.
A diretora da unidade, Mariana Aranha, explica que as aulas da oficina de grafite propiciaram, além do aprendizado das técnicas, situações de diálogos sobre a violência, a apropriação dos espaços urbanos e os dilemas da juventude. "Os oficineiros estão sempre atentos e abertos para conversas com os jovens e neste tipo de atividade sempre surgem demandas neste sentido”, conclui.
A utilização do muro foi autorizada pelo proprietário da casa comercial, Adilson Motta, que apoia o projeto e explica seus sentimentos em relação à Casa de Semilberdade Letícia: "Quando ela foi inaugurada fiquei um pouco receoso da presença de adolescentes infratores aqui no bairro, mas hoje conheço e admiro o trabalho desenvolvido lá. Gostei da pintura que eles fizeram, prefiro ter o meu muro desta forma”, destaca.
Experiências compartilhadas
O oficineiro Tiago Dequete é licenciado em artes pela Escola Guignard e teve o primeiro contato com o grafite em 1999. Durante oito meses ele esteve uma vez por semana com cerca de 20 jovens da semiliberdade para ensinar técnicas de pintura e história do grafite. “A arte dos muros e dos espaços públicos funcionou para os adolescentes como pontes para a liberdade. Compartilhamos histórias de vida em conversas informais, porém essenciais para a escolha de caminhos diferentes daqueles que os levaram até o cumprimento de uma medida socioeducativa” destaca Dequete.
O trabalho dos jovens em uma rua próxima da casa de semiliberdade foi apreciado com entusiasmo pela senhora Maria Auxiliadora Martins. Ela mora há mais de 40 anos no bairro e da varanda de sua casa elogiou a intervenção artística dos jovens: “Está lindo! O muro ficou muito melhor e isto é bom para os meninos e para o bairro. Acho que vou pedir para eles grafitarem também uma parte do muro aqui de casa” revela a moradora. Descobrir talentos e incentivar a criatividade é também uma das possibilidades em uma oficina de grafite. Um dos adolescentes concentrados na pintura do muro relatou: “descobri uma coisa nova em minha vida, nunca havia imaginado que seria capaz de fazer isto”.