Essa já é a terceira despesca realizada na unidade prisional. A última aconteceu no mês de abril e a primeira em fevereiro, ambas resultando na doação de uma tonelada de peixes cada. O projeto, que teve início em julho de 2011, é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que capacitou os presos em um curso de piscicultura. Nos treinamentos, os detentos aprenderam como tratar os animais, qual ração utilizar em cada fase da vida, como fazer a higienização do local e como realizar a correta retirada dos peixes.

Segundo a unidade prisional, mais dois tanques com 1.500 quilos de peixes já estão sendo tratados e a previsão é que a próxima despesca seja feita em dois meses.
 
Expansão 
 
foto2.jpgO professor do curso de Veterinária da UFMG, Edgar de Alencar Teixeira, participou da solenidade de despesca junto com o superintendente federal do Ministério da Pesca e Aquicultura em Minas Gerais, Wagner Benevides, que demonstrou bastante orgulho com o projeto. Segundo ele, que tem acompanhado de perto os trabalhos, a intenção do Ministério da Pesca é expandir a iniciativa para outras unidades prisionais mineiras.

Pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), estiveram presentes a assessora da Superintendência de Atendimento ao Preso (Sape), Clélia Alzira Maciel, a representante da Diretoria de Trabalho e Produção, Mariana Ribeiro Queiroz, e o representante da Diretoria de Ensino e Profissionalização, Marco Aurélio Ripoli.

Segundo Clélia Maciel, a Suapi já visitou várias unidades prisionais junto com representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura a fim de avaliar a possibilidade de implantação do projeto. “O Ministério avaliou algumas lagoas e, neste momento, estamos aguardando os resultados dos exames laboratoriais de análise de água para ver a viabilidade da criação de peixes em outras unidades”, explica. Já receberam a visita a Penitenciária de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, a Penitenciária de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, a Penitenciária José Maria Alkimin e o Presídio Feminino José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, e, no começo desta semana, o Complexo Penitenciário de Ponte Nova, na Zona da Mata. 
 
foto.jpgDe acordo com a assessora da Sape, tanto o Ministério da Pesca quanto a UFMG estão bastante envolvidos com o projeto e felizes com a produção dos detentos. Além disso, a iniciativa tem se revelado uma importante ferramenta de ressocialização. “Um dos presos que foi capacitado no curso de piscicultura recebeu alvará de soltura e, agora, está trabalhando com criação de peixes no sítio de um parente, no interior do Estado”, conta.
 
Trabalho
 
Atualmente, oito presos estão envolvidos na criação de peixes no Presídio Antônio Dutra Ladeira. Pelo trabalho, eles recebem redução de pena: a cada três dias trabalhados, um dia a menos na sentença a ser cumprida. Em todo o Estado, são cerca de 12 mil detentos realizando atividades laborativas nas mais diversas atividades, incluindo construção civil, limpeza urbana, artesanato, dentre outros.

Crédito fotos: Divulgação Seds