A banda Diante do Trono, da Igreja Batista da Lagoinha, foi a responsável pela música e pregação que emocionou cerca de 400 detentas da Piep, Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Centro-Sul (BH), Presídio São Joaquim de Bicas II, Presídio Professor José Abranches Gonçalves (Ribeirão das Neves) e Presídio de Pará de Minas. O grupo de música do Complexo Penintenciário Nelson Hungria também se apresentou no evento. 

“A gente ouve músicas que falam de Jesus e é sensibilizada a pensar nos nossos erros”, ressaltou Maria Lourdes de Jesus, detenta do Presídio de São Joaquim de Bicas. Emocionada, Rosane Teixeira, que cumpre pena na Piep, também diz que se sente “mais leve” em momentos de louvor e que, com orações, consegue se sentir próxima da sua família. “Dá para esquecer onde estamos. A oração transporta.”

A evangelização, independente da linha religiosa, é um dos pilares da política de ressocialização adotada nas unidades prisionais do Estado. Ao lado do incentivo ao trabalho, ao estudo, à leitura e ao aprendizado técnico, a assistência religiosa tem conseguido bons resultados na recuperação e baixa reincidência de detentos no sistema prisional.  Em Minas, de acordo com o superintendente de Atendimento ao Preso, Helil Bruzadelli, há cerca de 300 entidades religiosas parceiras dos presídios e penitenciárias. “Todas as 128 unidades do Estado contam com trabalhos ativos destes grupos”.

O secretário adjunto de Defesa Social, Denilson Feitoza, fez questão de ressaltar, em seu discurso, que acredita no poder transformador da música e também na sua força como instrumento de evangelização e ressocialização. “Vamos investir em ações que possam potencializar ainda mais os cerca de 60 projetos musicais desenvolvidos não só dentro das unidades prisionais, como também em unidades socioeducativas, centros de prevenção e outros espaços da Defesa Social”, adiantou o secretário.

A diretora da Piep, Natália Nascimento Rodrigues, também fez questão de ressaltar a importânciadiante_do_trono_na_piep.jpg de eventos como o desta terça-feira “Um show como este significa aproximação com a sociedade e um sentimento, para as presas, de que elas estão sendo tratadas com dignidade”.

O subsecretário de Administração Prisional, Murilo Andrade Oliveira, diz que aposta na função social dos diversos trabalhos evangelizadores desenvolvidos em todo o Estado. “Nossa experiência ao longo dos últimos anos tem mostrado que trabalhos ligados à religião tem resultados positivos para os presos e para o sistema. “Os detentos ficam mais calmos, se sentem mais próximos da sociedade. Estas ações ressocializam e também humanizam o cumprimento da pena.”

Pioneirismo

A partir deste ano, todas as igrejas ou grupo de ajuda religiosa que trabalham dentro de unidades da Suapi e que já desenvolvem um trabalho com dependentes químicos passaram também a prestar um atendimento mais voltado para a conscientização dos danos causados pelas drogas. Estas atividades são voltadas para ex-dependentes ou condenados por tráfico, que tinham envolvimento com entorpecentes.

A Igreja Batista da Lagoinha, parceira do evento de evangelização realizado pela Piep, possui projetos na Penitenciária Feminina e em outras quatro unidades prisionais da Região Metropolitana: Ceresp São Cristóvão, Centro de Apoio Médico e Pericial, Ceresp Centro Sul e Centro da Gestante Privada de Liberdade.

 

Crédito fotos: Divulgação Seds